A Vida Cristã Normal e o Catolicismo

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Richard Bennett

No presente texto trataremos da aparente normalidade do Catolicismo. A Igreja Católica está baseada em algumas das verdades essenciais da revelação divina.  Ela confirma que há um Deus auto-existente e eterno, Criador do universo, do homem e de todas as coisas. Ela ensina que na Divindade há três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo, iguais em substância, poder e glória. Também ensina que o homem foi criado à imagem de Deus, tendo caído pelo pecado da desobediência e se tornado sujeito tanto à morte temporal como à eterna. Ensina que a raça adâmica herdou a culpa e as consequências do pecado e que todos nascem pecadores diante de Deus. A Igreja Católica aceita a doutrina da redenção através de Jesus Cristo, ensinando que Ele se encarnou, sofreu a morte de cruz, ressuscitou dos mortos e subiu ao céu, de onde voltará no Último Dia.

A partir de minha própria experiência e de conversas que tive com um grande número de outros padres e freiras, observei que, conquanto víssemos a normalidade que existe no Catolicismo em muitas doutrinas básicas, ainda assim nos sentíamos mergulhados em tremendo vazio interior. Enquanto me preparava para o sacerdócio, algumas vezes desejei, de certo modo, compartilhar minhas experiências religiosas com colegas estudantes. Quase sempre, porém, eles me diziam para “não jogar conversa fora”. Esta frase foi também um tema comum durante meus anos de preparação para o sacerdócio. Lembro que, quando já era um sacerdote, visitei Amesterdão. Não fiquei no convento dominicano, mas numa casa jesuíta. Os padres que me encontraram no aeroporto foram muitos cordiais e bondosos, entretanto, no momento em que tentei explicar-lhes minha busca diária no sentido de encontrar Deus nas Escrituras, recebi em troca apenas o silêncio. Mais tarde, em Trinidad, ao falar com outro padre sobre o fato de a maioria dos bebés baptizados jamais voltarem à Igreja, ele zombou dizendo que se o baptismo infantil funcionasse, jamais teríamos espaço suficiente em nossas igrejas para receber todos os que baptizávamos. Esse gesto muito me chocou. Além disso, soube que uma boa porção de ex-freiras teve a mesma experiência. Conversas, piadas (algumas até picantes) e fofocas eram todas aceitáveis, mas quando uma irmã desejava abrir o coração a respeito de sua busca pelo Senhor, recebia apenas um gélido silêncio.

Com a chegada do Movimento Carismático Católico, no início dos anos 1970, as coisas mudaram um pouco. Entre o povo pentecostal e o católico havia uma ansiedade de compartilhar experiência religiosa. Mesmo assim, novamente surgiram obstáculos. Coisas como milagres, maravilhas e eventos carismáticos actuais eram todos aceitáveis, mas continuava sendo um tabu falar de doutrina. Igualmente fora de questão ficavam todas as perguntas e discussões sobre os ensinos oficiais da Igreja. Depois, até mesmo na conferência anual dos padres e em outras reuniões, quando eu queria questionar doutrinas e citar as Escrituras, sempre me diziam que estava me excedendo. Que grande contraste observei ao chegar à fé bíblica e constatar que os companheiros crentes adoram compartilhar o que o Senhor tem feito em suas vidas. Durante uma visita a Varsóvia, na Polónia, a Londres e à Irlanda, em 2003, fui grandemente edificado com a abertura e franqueza do compartilhar dos crentes. A vida cristã normal está sempre centralizada no Senhor, em Sua presença, em Sua resposta à oração e mesmo em Sua disciplina, conforme Ele nos observa. Sei por experiência própria, e pelo que tenho aprendido de outros excatólicos, que, conquanto as coisas parecessem normais, não tínhamos uma vida íntima com o Senhor. Quando começávamos a querer buscar e compartilhar profundamente o que estávamos descobrindo sobre como andar com o Senhor, a resposta em geral era sempre a mesma: “não jogar conversa fora”.   O sistema de crença por trás dessa experiência compartilhada entre os que já foram padres, freiras e católicos leigos, pretendo detalhar agora, para que seja compreendido. Embora as doutrinas essenciais pareçam bíblicas, delas fluindo o sacrifício e a redenção de Cristo, elas são tão comprometidas no Catolicismo, a ponto de se tornarem prejudiciais à alma.

Aplicação da Redenção de Cristo

O pecado tem uma significação maligna e infinita, visto ser cometido contra uma Pessoa infinita. Não existem meios de escapar da ira divina contra o pecado, excepto pela aplicação da obra perfeita do Senhor Jesus Cristo. Quanto ao Espírito Santo, o Senhor prometeu: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”. O Espírito Santo convence do pecado à medida em que faz o pecador verificar a sua condição de perdido, fazendo-o sentir a necessidade da justiça de Cristo. Somente o Espírito Santo pode dar vida espiritual à alma e luz sobrenatural à mente. Por isso o próprio Senhor proclamou: “… Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.5 “Na verdade, na verdade” é uma expressão usada pelo Senhor, a fim de chamar atenção para a crucial importância do que Ele falou. O que Ele intitula “nascer de novo” é estabelecido como um princípio de vida, pois “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”.  O Espírito Santo é a única e exclusiva causa eficiente de se “nascer de novo”. O mesmo princípio de vida é depois repetido pelo Senhor: “O Espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita”.  A maravilhosa obra do Espírito Santo, abrindo a mente e o coração à redenção é esclarecida pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 2:9-10: “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.

O Senhor salva gloriosamente os pecadores, “não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”.  Os verdadeiros crentes “… não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”, pois segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” .

Nessa regeneração Ele opera como Livre Agente, dispensando o Seu poder onde, quando e a quem Ele quer. Nas palavras do Senhor: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.  O vento é um elemento que o homem não pode controlar, independentemente dos seus desejos e acções, o mesmo acontecendo com o Espírito de Deus. Este é absolutamente soberano em Suas operações.

A necessidade da obra directa do Espírito Santo na alma do homem acontece porque ele está espiritualmente morto. Nas palavras do apóstolo, “… a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”.  O “novo nascimento” é imprescindível porque o homem natural é totalmente deficiente em si mesmo. Não por ser fraco e carecer de estímulo, mas porque está espiritualmente morto conforme as palavras do apóstolo: “… estando vós mortos em ofensas e pecados…”.  Visto existir uma conexão directa entre a redenção de Cristo e a obra do Espírito Santo, é um grande erro substituir a Sua obra por rituais e cerimónias, pois nas palavras do Senhor, “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”.  “… Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho”.  A Obra do Espírito Santo é absolutamente necessária no sentido de conduzir o pecador a Cristo, a fim de superar a sua inata oposição e induzi-lo a crer. Em tudo isso o Espírito Santo é soberano.

Salvação Supostamente Autónoma e Auto-Reguladora

A Igreja Católica fala da graça do Espírito Santo, não como uma obra directa em Jesus Cristo, mas como uma obra feita sob o controle dos seus sacramentos. Ela faz esta declaração de enorme significação: “A Igreja afirma que para os crentes os sacramentos da nova aliança são necessários à salvação. A ‘graça sacramental’ é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e peculiar a cada sacramento”.

Essa afirmação tenta substituir a Pessoa do Espírito Santo pela “graça sacramental”. Essa graça ou poder, segundo a Igreja afirma, provém dos sacramentos. Ela chega ao ponto de chamar os seus sacramentos de “obras-primas de Deus”. “Na liturgia, o Espírito Santo é o pedagogo da fé do povo de Deus, e o artífice das ‘obras primas de Deus’, os sacramentos da nova aliança”.  Esses sacramentos são os ritos físicos visíveis, segundo ela declara: “Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento”.

A preciosa Palavra de Deus na Escritura explica como a salvação nos é outorgada; a salvação não é recebida por meio de cerimónias ou ritos, mas exclusivamente pela graça de Deus através da fé. Segundo Efésios 2:8-9 “... pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”, “… se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra”.  Contudo, essa palavra “obras” é o termo exacto usado pela Igreja Católica para declarar que os seus Sete Sacramentos operam “ex opere operato”, pela obra efectuada. O ensino é: “Se alguém disser que pelos ditos sacramentos da Nova Lei, a graça não é conferida a partir da obra que tem sido efectuada (ex opere operato), mas que somente a fé na divina promessa é suficiente para obter a graça: que seja anátema”.

O que o torna destrutivo à alma é que tal ensino tenta substituir a obra directa do Espírito Santo por rituais ou ritos. Os ritos e sacramentos afirmam “operar por si mesmos” (ex opere operato), isto é, funcionariam sem depender da condição espiritual do sacerdote que os dá, ou da pessoa leiga que os recebe. Numa palavra, eles operam automaticamente. Tal afirmação tenta estabelecer na prática a autonomia dos sacramentos e dos ritos auto-reguladores de Roma, no sentido de conferir graça. É difícil encontrar um ensino tão contraditório à verdade do Senhor: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida”.

Vimos acima como o Espírito Santo é a única e absoluta causa do “novo nascimento”.

Um exemplo da acção automática dos sacramentos de Roma é o que afirma: “O Baptismo… pelo qual homens e mulheres são libertos dos seus pecados, são renascidos como filhos de Deus… é válido conferido apenas pela lavagem da verdadeira água, junto com a fórmula exigida de palavras”.  E ainda: “O Baptismo é necessário para a salvação, para aqueles aos quais o Evangelho foi anunciado e que tiveram a possibilidade de pedir este sacramento”.

Desse modo, o ensino católico é que o “novo nascimento” como “filhos de Deus” vem pelo baptismo. Água real, mais um conjunto de palavras, são necessárias para que o baptismo opere automaticamente. Nas Escrituras o “novo nascimento” é uma exclusiva obra do Espírito Santo e não uma obra humana realizada através de coisas físicas. Isso provém da exacta condição da natureza humana. O estado do homem natural é representado como morto no pecado. O baptismo e tudo o mais excluem a ideia de qualquer esforço ou obra humana para que alguém nasça de novo. O “novo nascimento” é uma ressurreição espiritual, uma passagem da morte para a vida, totalmente fora do controle humano. Seguem-se as valiosas palavras do Senhor: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”.

O Espírito Santo convence a pessoa do pecado e esta confia exclusivamente na cruz e na ressurreição de Cristo para ser regenerada com uma nova vida em Cristo. Então o crente verdadeiro tem uma Pessoa Divina habitando nele; “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”, a qual o ama, o guia; “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”, garante a sua filiação divina; “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” e o ajuda em suas fraquezas, intercedendo por ele; “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”.  Ele é quem sela o verdadeiro crente para o dia da redenção: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção”.  Toda essa autoridade e poder divinos emanam de uma Pessoa. No Catolicismo a Pessoa Divina do Espírito Santo praticamente foi substituída pelos sacramentos, que operam por conta própria. Muitos de nós, que fomos sacerdotes por tantos anos, baptizamos inúmeras crianças. Contudo, ano após ano, vimos essas crianças por nós baptizadas crescerem destituídas da graça de Deus. É necessário que os católicos tenham a honestidade de reconhecer que é a Pessoa Divina quem efectua a salvação, e não o sacramento auto-regulador do baptismo. Que todo católico, na presença do Deus Santo, a Ele pergunte como pode experimentar a vivificação através do Espírito Santo. Nenhum católico deve dar descanso à sua alma, enquanto não buscar a graça de Deus e implorar a obra do Espírito Santo para que seja renovado o seu coração.

A mais antiga e mais cativante tentação

O ensino católico do baptismo é, sem dúvida, a mais antiga tentação conhecida pelo homem. Uma coisa física, a água, e palavras físicas são apresentadas como realizando o “novo nascimento”. Olhar para uma coisa física, a fim de receber vida espiritual foi a primeira mentira de Satanás:  “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal”. Satanás ofereceu o fruto como um meio eficaz de proporcionar o bem a Eva. Ela acreditou na eficácia do fruto para abrir-lhe os olhos e dar-lhe o conhecimento do bem e do mal. Do mesmo modo, a Igreja Católica apresenta “a água real junto com a fórmula exigida de palavras” como um inerente meio de “nascer de novo”. A carne só pode reproduzir-se em carne. A lei da reprodução é segundo a sua espécie.  A obra do Espírito Santo na vida dos verdadeiros crentes é frutífera e indestrutível. Sua obra é um poder renovador: “… o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito.  Na Escritura muitas actividades são atribuídas ao Espírito Santo. Ele guia os crentes em toda a verdade, mostra-lhes as coisas futuras, toma as coisas de Cristo e as mostra ao seu povo: “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”.  O principal objectivo do Espírito Santo é a glorificação de Jesus Cristo. A obra central da glorificação de Cristo é a Sua revelação ao crente. A iluminação do Espírito Santo em Sua primeira obra sobre a alma, nas palavras da Escritura acontece “porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo”.

Frutos espirituais, o teste vital da realidade

Cristo Jesus disse: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?”.  São os bons frutos espirituais que demonstram a natureza das doutrinas que foram ensinadas. O Espírito Santo produz frutos espirituais nos que são realmente nascidos de novo. Esses frutos são: arrependimento, fé pessoal e profunda comunhão com Deus e com o Seu povo. O “novo nascimento” produz o fruto da conscientização da absoluta Santidade de Deus e da excessiva malignidade do pecado. O fruto é visto no fervoroso desejo de nos humilharmos diante de Deus, em submissão à Sua Palavra e à Sua vontade. Os frutos da salvação são vistos nos desejos do coração de andar em gratidão a Deus e ao Seu povo, conforme todos os seus mandamentos. Tais frutos mostram uma apreciação à adoração santa a Deus, em face ao nosso desejo de glorificá-lo em todos os aspectos de nossa vida. O próprio Senhor nos deu a seguinte advertência: “Pelos seus frutos os conhecereis”. Vivendo em santidade o verdadeiro cristão demonstra que “… se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.  A vida cristã exibe a obra do Espírito Santo, que agora habita em seu coração. A vida cristã não é uma planta manufacturada, na qual os ritos autónomos e auto-reguladores supostamente conferem graça. É a família de Deus, na qual Ele tem filhos e filhas livres, a qual amorosa e livremente O serve e na qual a salvação é inteiramente dEle, directamente efectuada por Cristo Jesus através da Sua graça e para a Sua glória. É quando contemplamos uma verdadeira vida cristã que ficamos chocados com a anormalidade de certas coisas, como ajoelhar-se diante de crucifixos, estátuas e imagens, usar cinzas, velas, fazer oração aos santos, usar água benta, fazer a via sacra, rezar às almas de um local não existente chamado purgatório, usar medalhas, escapulários e carregar palmas. Muitos de nós, mesmo enquanto éramos católicos devotos, achávamos que havia algo estranho em toda essa parafernália, por isso zombávamos do “gemido e aroma dos sinos” que faziam parte da nossa vida católica.

A vida do Espírito nos crentes e pastores

O Espírito Santo aplica nos verdadeiros crentes todas as virtudes da obra perfeita de Cristo. Ele lhes comunica convicção, luz, amor, fé, arrependimento e perseverança. Pela Sua morte, Cristo adquiriu, por mérito, para todo o seu povo uma participação real nas bênçãos da redenção e, em Cristo, o Seu Espírito as aplica directamente ao povo. Através do trabalho do Espírito Santo os crentes verdadeiros são conduzidos à fé salvadora e ao arrependimento. Numa palavra, o Espírito Santo é o elo através do qual Cristo Jesus une eficazmente o crente verdadeiro a Si mesmo. Não existe possessão ou uso de graça alguma, de misericórdia, de privilégio, ou de consolação que não seja exclusivamente por Ele outorgada. Ele é a causa imediata e eficaz de toda actividade divina. Nele a excelência divina e o poder são manifestos. Essa vida no Espírito Santo é sobremodo evidente na vida e no comportamento do pastor cristão. A vida cristã normal significa estar sob o cuidado pastoral de homens que exemplificam um comportamento piedoso. Diz a Escritura que “convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar…”.  Ele deve dirigir sua família de modo a dar um bom exemplo aos chefes de outros lares. Um pastor que dirige bem um lar cristão dá provas de sua habilidade para cuidar da igreja de Deus, “Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus”.  A Escritura enfatiza o fato de que “venerado seja entre todos o matrimónio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará”. Nesta passagem fica claro que a Lei do Celibato do clero criada pelo Vaticano é tudo, excepto normal. A vida do clero católico é muito irregular. Por exemplo, “bem informados grupos de advogados das vítimas de abuso nos EUA estimam que existem de 2.000 a 4.000 padres abusadores actualmente na América, ou seja, um número entre 4 e 8% dos 48.000 padres americanos. Se isso é verdade, então há uma incidência alarmante de abuso sobre a população em geral”. Por uma questão de honestidade, os padres e leigos católicos devem admitir que em seu meio as coisas não são normais, devendo estes pesquisar o modelo real de uma vida cristã normal.

Dois protótipos irreconciliáveis

Para descobrir a vida cristã normal devemos fazer a pergunta exposta na Escritura: “Como se justificaria o homem para com Deus?”.  A Palavra de Deus diz muito clara e repetidamente que o homem é justificado, isto é, livre do seu pecado, tornando-se justo, somente pela graça de Deus, através da fé em Jesus Cristo: “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”. A Igreja Católica afirma que alguém se torna cristão e mantém a vida cristã através dos seus sacramentos, santos óleos e outros objectos, e que alguém que é justo deve trabalhar para conseguir mérito, tudo em colaboração com o que ela chama de “graça santificante”: “Nosso mérito em face de Deus consiste apenas em seguir o seu livre desígnio de associar o homem à obra de sua graça. O mérito pertence à graça de Deus em primeiro lugar, à colaboração do homem em segundo lugar. Cabe a Deus o mérito humano”.  Além disso, a Igreja de Roma declara que ela mesma “gera, sustenta e alimenta nossa fé”: “Crer’ é um acto eclesial. A fé da igreja precede, gera, sustenta e alimenta nossa fé…” Contudo, conforme a Escritura, a Igreja foi criada e estabelecida inteiramente por Deus, através de Jesus Cristo e da obra do Espírito Santo. Deus cria a fé salvadora através do Evangelho da Graça. Somente através da operação do Espírito Santo é que alguém crê no Evangelho de Cristo. Esse é o mesmo poder maravilhoso que ressuscitou Cristo de entre os mortos, “tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; e qual a sobre excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus”.  O ensino da Igreja Católica sobre a salvação é por demais terreal, estando sob o controle dos padres. Ela declara oficialmente: “… De fato, são os bispos e os presbíteros que têm, em virtude do sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados, ‘em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. E mais: “… A missão e o poder de perdoar verdadeiramente os pecados, pelo ministério dos apóstolos e de seus sucessores”.  Afirmar que possui na terra um poder, que somente pode ser atribuído ao Espírito de Deus no céu, é certamente anormal. Veremos muito mais, à medida que avançarmos neste livro. A vida e o poder dos padres não são normais no sentido bíblico.   Nem mesmo o casamento no sentido bíblico é normal na vida dos católicos. A vida de uma freira não é comum, quando comparada à vida normal ensinada aos crentes na Escritura. Este e outros tópicos serão investigados em vários capítulos deste livro. Por enquanto, a visão geral que temos procurado é clara e precisa. O Deus

Santíssimo não divide a Sua glória com ninguém. Tendo em vista que o ensino da Escritura sobre o poder e a prerrogativa do Espírito Santo é legítimo, o método alternativo apresentado através de rituais e sacerdotes, segundo o Catolicismo, é falso e anormal.

Promessa para o nosso tempo

A promessa do Novo Testamento para os nossos dias é: “Os teus olhos verão o rei na sua formosura...”.  Os crentes verdadeiros devem experimentar a graça de Cristo em todo o seu poder e excelência. Ele clama a todos dizendo: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro”. Peggy O´Neill, uma exfreira católica, iniciou o seu testemunho dizendo: “Servi como irmã na ordem religiosa por uns 50 anos, e durante todo esse tempo jamais escutei o verdadeiro Evangelho”.  Mais adiante, no mesmo testemunho, ela diz: “Eu era ignorante da justiça de Deus. O que é tomado por salvação é uma justiça que se equipara à de Deus e eu sabia que ninguém jamais alcançaria aquele modelo. Isso é tudo a que se resume o Evangelho: O que Deus exige, Ele provê. A Boa Nova é que se cremos em Jesus Cristo, cuja morte na cruz, sepultamento e ressurreição pagaram o preço do nosso pecado, seremos salvos. A Bíblia assim declara: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Essa Boa Nova de Deus é a essência do Evangelho.

O Senhor Jesus Cristo está pronto

A mensagem do Evangelho é que o Senhor Jesus Cristo está pronto a receber todos os pecadores que a Ele se achegam. Somente Ele é capaz de tornar alguém justo diante do Pai. Cristo está pronto e desejoso de receber-nos. A revelação que Ele dá nas Escrituras é através do amor e da verdade do Seu Santo Espírito.   Suas palavras ameaçadoras ainda soam aos ouvidos dos que têm passado a maior parte de suas vidas sujeitos às religiões humanas: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. Ninguém que apenas reconheça a autoridade de Cristo, crendo na Sua Divindade e na Sua Reparação, terá qualquer parte na salvação de Deus, se não fizer a vontade do Pai. Que ninguém descanse em rituais, junto com a fé em Cristo… Multidões têm sido enganadas e têm perecido eternamente, por aceitarem facilmente tal mentira. O Senhor tornou absolutamente clara a vontade do Pai, quando disse: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou”.  “Arrependei-vos, e crede no Evangelho”.  “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto”. A graça de Deus está sendo hoje entregue a todos vocês neste tempo aceitável. Outros tiveram essa oportunidade e a deixaram escapar, portanto, tenham cuidado para não endurecerem os seus corações. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida”. A água da vida está sendo oferecida a vocês.  Creiam somente nEle para ficarem seguros eternamente, pois “… se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.  Desprezar a regeneração que nos é dada através da Pessoa Divina do Espírito Santo, trocando-a pela fé e confiança nos padres e nos sacramentos é um erro fatal. Na prática, em vez de uma Pessoa Divina ser a única e exclusiva causa eficaz de se “nascer de novo”, os pensamentos e afeições repousam sobre os objectos e os padres que as dispensam. Em suma, isso é a substituição de uma relação com Deus pela religião humana. É uma troca típica do ser humano. A humanidade adora ter sua vida controlada e de tal fato a Igreja Católica sempre tem se aproveitado. A imensa dificuldade, porém, em tudo isso, é a ferida interna do vazio gerado pelo seu ritualismo. Perante a situação referida, a legítima esperança cristã é que o Espírito de Deus possa conduzir o homem a uma nova vida em Cristo. Os que a Ele se dirigem, podem ser guiados por uma nova e vívida esperança. Nas palavras do apóstolo Pedro: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”.  Todas as bênçãos do crente começam pela regeneração que vem da abundante misericórdia divina. Uma viva e duradoura esperança precisa ter um tão sólido fundamento, de modo que o crente possa se alegrar e gozar de tão profunda paz interior. A verdadeira fé produz um ardente amor por Jesus Cristo.  Esse amor se reflecte na mais alta estima por Ele, no desejo de estar com Ele, e de falar com Ele. Tal amor inclui o servir ao Senhor alegremente em todos os aspectos e até mesmo no sofrimento. O propósito de tais sofrimentos é “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso”.

Quando existe verdadeira fé e amor ao Senhor, tudo é feito com alegria indescritível e plena de glória. No Catolicismo a alegria está faltando. Os rituais, a pompa, a bela arquitectura, a música envolvente, o misticismo, as experiências carismáticas, as visões e as aparições não conseguem preencher o vazio que somente poderia ser satisfeito por uma Pessoa – o Espírito do Deus vivo! O Catolicismo jamais continuará enganando as pessoas e as nações por um tempo maior do que o permitido por Deus. Sua falsidade será finalmente manifestada como supremo exemplo de quem age “tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela…”.  Milhares de nós abandonamos o Catolicismo em busca de uma vida cristã normal e isso continua acontecendo a muitos, na maior parte das nações.

Somente Deus é Santíssimo. Sua santidade é o factor distinto em todas as suas características essenciais. Daí porque necessitamos nos posicionar correctamente diante do único Santíssimo Deus, conforme os seus termos. A verdade divina, conforme vemos na Escritura, deixa claro que não podemos continuar fiéis aos falsos ensinos católicos, que se opõem à verdade bíblica e, ao mesmo tempo, ter uma relação correcta com Deus. Os que continuam em tais ensinos e tradições permanecem em perigo eterno. Ao contrário, as pessoas podem fazer o mesmo que tantos de nós temos feito, voltando-se para Deus em fé somente, a fim de conseguir a salvação que apenas Ele pode oferecer, através da convicção do Seu Santo Espírito, baseada na morte e ressurreição de Cristo, crendo somente nEle, “para o louvor da glória de sua graça”.


Richard Bennett do “Berean Beacon” WebPage: http://helpforcatholics.org

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