Da Tradição à Verdade História de um Sacerdote – Richard Peter Bennett

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Os Primeiros Anos

Richard como um padre em sua última paróquia

Nascido na Irlanda, em uma família de oito, tive uma infância feliz e gratificante. Meu pai era coronel do Exército Irlandês até se aposentar, quando eu tinha uns 9 anos de idade. Nós gostávamos de brincar, cantar, representar peças teatrais, tudo isto dentro de um alojamento militar em Dublin.

Nós eramos uma família católica irlandesa típica . Meu pai às vezes se ajoelhava para rezar de maneira solene ao lado de sua cama. Quase todas as noites nós nos ajoelhávamos na sala para rezar o Rosário juntos.

Ninguém nunca deixou de ir à igreja aos Domingos, a não ser que estivesse muito doente. Quando eu tinha 5 ou 6 anos de idade, Jesus Cristo já era uma pessoa muito real para mim, mas também o eram Maria e os santos. Eu posso me identificar facilmente com outras pessoas de nações européias tradicionalmente católicas, e com hispânicos e filipinos, os quais colocam Jesus, Maria, José e outros santos no mesmo saco da fé.

O catequismo foi infundido em mim em uma escola jesuíta de Belvedere, onde eu estudei durante toda a minha educação primária e secundária. Como todo menino que estuda sob jesuítas, eu podia recitar, antes dos 10 anos de idade, cinco razões pelas quais Deus existia e porque o papa era o líder da única igreja verdadeira. E salvar almas do purgatório era um assunto muito sério. Nós decorávamos os dizeres muito citados: “É um pensamento muito santo e saudável rezar pelos mortos para que eles sejam libertados de seus pecados” apesar de não entendermos qual era seu significado. Nós aprendíamos que o papa, como líder da Igreja, era o homem mais importante do mundo. O que ele dizia era lei, e os jesuítas eram seu braço direito. E embora a missa fosse em latim, eu procurava participar diariamente porque eu estava fascinado pelo profundo senso de mistério que a envolvia. Nos era dito que esta era a forma mais importante de agradar a Deus. Nós eramos encorajados a rezar para os santos, e tinhamos um santo padroeiro para a maioria dos aspectos da vida. Eu não me habituei a fazer isto, com uma exceção: Santo Antônio, o padroeiro de objetos perdidos, pois eu vivia perdendo coisas.

Quando eu tinha quatorze anos de idade, eu senti o chamado para ser um missionário. No entanto, este chamado não afetou em nada a forma como eu vivia minha vida naquele tempo. Dos meus dezesseis aos dezoito anos de idade eu experimentei o período mais divertido e de maiores realizações que um jovem poderia ter. Durante este tempo eu fui muito bem sucedido tanto acadêmica como atleticamente.

Frequentemente, eu tinha que levar minha mãe ao hospital para tratamentos. Enquanto eu esperava por ela, eu achei em um livro a citação dos versículos de Marcos 10:29-30: “E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, our irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna.” Não tendo a menor idéia da verdadeira mensagem da salvação, eu decidi que, verdadeiramente, eu tinha um chamado para ser um missionário.

Tentando ganhar a salvação

Eu deixei minha família e meus amigos em 1956 para me juntar à Ordem Dominicana. Durante oito anos eu estudei o que é ser um monje, as tradições da Igreja, filosofia, a teologia de Tomás de Aquino, e um pouco da Bíblia, do ponto de vista católico. Qualquer fé pessoal que eu tinha foi institucionalizada e ritualizada no sistema religioso dominicano. Obediência à lei, tando dominicana como da Igreja, me foram impostas como o meio de santificação. Eu falava frequentemente com o mestre dos estudantes, Ambrose Duffy, a respeito de a lei ser a forma de se tornar santo. Além de me tornar “santo”, eu queria também me assegurar de minha salvação eterna. Eu memorizei parte dos ensinamentos do Papa Pio XII, nos quais ele falava que “…a salvação de muitos depende das orações e sacrifícios do corpo místico de Cristo, oferecido com essa intenção.” Essa idéia de adquirir salvação através de sofrimento e oração é também a mensagem básica de Fátima e Lourdes, e eu procurei ganhar minha própria salvação bem como a salvação de outros através de tal sofrimento e oração. No monastério dominicano em Tallaght, Dublin, eu desempenhei vários feitos difíceis para ganhar almas, tais como tomar banhos frios no meio do inverno e bater em minhas costas com pequenas correntes de aço. O mestre dos estudantes sabia o que eu estava fazendo, e sua vida austera foi parte da inspiração que eu tinha recebido das palavras do Papa. Com determinação e rigor, eu estudei, orei, paguei penitência, tentei cumprir os Dez Mandamentos e uma multitude de regras e tradições dominicanas.

Pompa Exterior – Vazio Interior

Em 1963, aos vinte e cinco anos de idade, eu fui ordenado padre católico romano e fui terminar meus estudos de Tomás de Aquino na Universidade Pontífica Angelicum em Roma. Mas lá eu tive dificuldade com a pompa exterior e o vazio interior. Ao longo dos anos, eu havia formado, através de livros e fotos, uma imagem da Santa Sé e da Cidade Santa em minha mente. Poderia esta ser a mesma cidade? Na Universidade Angelicum eu fiquei também chocado com o fato de que centenas daqueles que atendiam as nossas aulas matinais pareciam tão desinteressados em teologia. Eu percebi que revistas como Times e Newsweek eram lidas durante as aulas. Aqueles que estavam interessados no que estava sendo ensinado pareciam estar interessados apenas em seus diplomas ou em posições dentro da Igreja Católica em sua terra natal.

Um dia eu sai para uma caminhada no Coliseu, para que meus pés tivessem a oportunidade de pisar no mesmo solo em que o sangue de tantos cristãos havia sido derramado. Eu fui à arena no Forum. Eu tentei imaginar aqueles homens e mulheres que conheciam Cristo tão bem que estavam dispostos a ser queimados na estaca ou devorados pelas feras por causa de Seu amor avassalador. No entanto, a alegria desta experiência foi arruinada, pois, ao voltar de ônibus eu fui insultado por jovens zombadores gritando palavras que significavam “escória ou lixo”. Eu senti que sua motivação para tal insulto não era porque eu vivia para Cristo como os primeiros cristãos viveram, mas porque eles viam em mim o sistema católico romano. Rapidamente, eu procurei esquecer essa diferença, mas o que eu aprendi sobre as glórias presentes de Roma me pareceram, então, muito irrelevantes e vazias.

Uma noite, logo depois daquele fato, eu orei por duas horas em frente ao altar principal da igreja de São Clemente. Lembrando-me do meu chamado juvenil para ser um missionário e da promessa em Marcos 10:29-30, eu decidi não obter o diploma teológico que havia sido a minha ambição desde o começo de meus estudos da teologia de Tomás de Aquino. Esta foi uma decisão muito importante, mas depois de muita oração, eu tinha a certeza de que havia tomado a decisão correta. O padre que deveria dirigir a minha tese não queria aceitar a minha decisão. Para tornar mais fácil o processo de graduação, ele me ofereceu uma tese escrita muitos anos antes. Ele disse que eu poderia usá-la como se fosse minha se eu apenas a defendesse oralmente. Isto fez meu estômago revirar. Isto foi semelhante ao que eu havia visto poucas semanas antes em um parque da cidade: prostitutas elegantes desfilando em suas botas pretas de couro. O que ele estava me oferecendo era igualmente pecaminoso. Eu mantive a minha decisão, terminando a universidade ao nível acadêmico básico, sem um grau superior. Ao retornar de Roma, eu recebi a palavra oficial de que eu havia sido designado para fazer um curso de três anos na Cork University. Eu orei veementemente sobre o meu chamado missionário. Para a minha surpresa, no final de Agosto de 1964, eu recebi ordens para ir para Trinidad, nas Índias Ocidentais, como missionário.

Orgulho, Queda e um Novo Desejo

No dia 1 de Outubro de 1964, eu cheguei a Trinidade e por sete anos trabalhei como padre, de acordo com os termos da Igreja Católica Romana, desempenhando minhas funções e trazendo muitos à missa. Em 1972 eu já estava bastante envolvido com o Movimento Carismático Católico. Então, em uma reunião de oração no dia 16 de Março daquele ano, eu agradeci a Deus por ser um padre tão bom, e pedi que, se fosse Sua vontade, que Ele me fizesse humilde para que eu me tornasse ainda melhor. Mais tarde, naquela mesma noite, eu tive um acidente esquisito, sofrendo um corte na parte de trás de minha cabeça e machucando minha coluna em vários lugares. Sem ter chegado assim tão perto da morte, eu nunca teria deixado aquele meu estado de auto-satisfação. As rezas decoradas se mostraram vazias quando eu clamei a Deus em meio à minha dor.

Durante o sofrimento que passei nas semanas depois do acidente, eu encontrei conforto nas orações pessoais e diretas. Eu parei de repetir o Breviário (as rezas oficiais do clérigo católico) e o Rosário e comecei a orar usando partes da própria Bíblia. Este foi um processo bem lento. Eu não conhecia a Bíblia muito bem, e durante todos estes anos o pouco que havia aprendido tinha me levado a não confiar nela. Meu treino em filosofia e na teologia de São Tomás de Aquino me deixaram sem esperança, de modo que buscar o Senhor na Bíblia era como ir à uma enorme floresta escura sem um mapa.

Quando fui nomeado para uma nova paróquia mais tarde naquele ano, eu descobri que iria trabalhar lado a lado com um padre dominicano que havia sido um irmão para mim durante muitos anos. Por mais de dois anos nós trabalhamos juntos, buscando a Deus da melhor maneira que podíamos, na paróquia de Pointe-a-Pierre. Nós lemos, estudamos e colocamos em prática o que haviamos aprendido sobre os ensinamentos da Igreja. Nós construímos comunidades em Gasparillo, Claxton Bay e Marabella, e em outras vilas menores. No sentido religioso do catolicismo, nós eramos muito bem sucedidos. Muitas pessoas frequentavam a missa e o catecismo era ensinado em muitas escolas, inclusive em escolas públicas. Eu continuei minha busca pessoal na Bíblia, mas isso não afetou muito o trabalho que eu estava fazendo; ao invés disso, me mostrou o quão pouco eu conhecia do Senhor e Sua Palavra. Foi nessa época que Filipenses 3:10 se tornou o desejo do meu coração: “para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição…”

Nesta época o movimento carismático católico estava crescendo, e nós o introduzimos à maioria de nossas vilas. Por causa desse movimento, alguns cristãos canadenses vieram a Trinidad para compartilhar conosco. Enquanto muito do que aprendi se concentrava em falsos sinais e maravilhas, aos quais eu renunciei mais tarde, o uso das Escrituras foi realmente uma bênção para mim. O amor que os cristãos canadenses tinham pela Bíblia me levaram a estudá-la profundamente como uma fonte de autoridade. Eu comecei a comparar as escrituras com escrituras e a citar capítulos e versículos!

Um dos textos que os canadenses usavam era Isaías 53:5 “…e pelas Suas pisaduras fomos sarados.” Assim, ao estudar Isaías 53, eu descobri que a Bíblia lida com o problema do pecado por meio da substituição. Cristo morreu em meu lugar. Era errado da minha parte tentar expiar ou tentar cooperar no pagamento pelo meu pecado. “Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.” (Romanos 11:6) “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. “(Isaías 53:6)

Um dos meus pecados pessoais era o de ficar irritado com as pessoas, até mesmo com raiva. Embora eu tenha pedido perdão por meus pecados, eu ainda não tinha entendido que eu era um pecador devido a natureza que todos nós herdamos de Adão. A verdade bíblica é que “não há justo, nem sequer um.” (Romanos 3:10) e “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” (Romanos 3:23). A Igreja Católica, no entanto, havia me ensinado que a depravação do homem, que é chamada

“pecado original”, foi lavada pelo meu batismo na infância. Eu ainda guardava essa crença na minha cabeça, mas em meu coração eu sabia que minha natureza depravada ainda não havia sido conquistada por Cristo. “para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição…” (Filipenses 3:10) continuava a ser o desejo do meu coração. Eu sabia que só pelo Seu poder eu poderia viver a vida cristã. Eu coloquei este versículo no painel do meu carro e em outros lugares. Ele se tornou um apelo para me motivar, e o Senhor, que é fiel, começou a responder.

A Questão Fundamental

Primeiro, eu descobri que a Palavra de Deus na Bíblia é absoluta e sem erro. Eu havia aprendido que a Palavra é relativa e que sua veracidade deveria ser questionada em muitas áreas. Então eu comecei a entender que podemos confiar na Bíblia. Com a ajuda da Concordância Bíblica de Strong, eu comecei a estudar a Bíblia para ver o que esta diz a respeito de si mesma. Eu descobri que a Bíblia ensina claramente que é de Deus e que é absoluta naquilo que diz. Ela é verdadeira em sua História, nas promessas que Deus fez em suas profecias, nos mandamentos morais que dá, e em como viver a vida cristã. “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça;

para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.”(II Timóteo 3:16-17).

Esta descoberta aconteceu quando eu estava visitando Vancouver, B.C., e Seattle. Quando me pediram para falar em um grupo de oração na Igreja Católica de São Estevão, eu escolhi como tópico a autoridade absoluta da Palavra de Deus. Esta foi a primeira vez que eu tinha entendido tamanha verdade, ou falado sobre ela. Eu retornei a Vancouver e em uma igreja grande, diante de 400 pessoas, eu preguei a mesma mensagem. Com a Bíblia em minhas mãos, eu proclamei que “a Biblia, a própria Palavra de Deus, é a autoridade absoluta e final para quaisquer assuntos sobre fé ou moral.” Três dias mais tarde, o arcebispo de Vancouver, James Carney, me chamou em seu escritório, e eu fui, então, oficialmente silenciado e proibido de pregar em sua arquediocese. Me disseram que minha punição teria sido mais severa se não fosse pela carta de recomendação que eu havia recebido de meu próprio arcebispo, Anthony Pantin. Logo em seguida eu retornei a Trinidad.

Dilema entre a Igreja e a Bíblia

Enquanto ainda padre de Point-a-Pierre, Ambrose Duffy, o homem que havia me ensinado tão estritamente quando era mestre dos estudantes, foi chamado para me auxiliar. Após algumas dificuldades, nós nos tornamos muito amigos. Eu compartilhei com ele o que eu estava descobrindo, e ele me ouviu e mostou grande interesse e quis saber o que estava me motivando. Eu vi nele um canal de acesso aos meus irmãos dominicanos e até mesmo àqueles na casa do arcebispo. Quando ele morreu repentinamente de um ataque do coração, eu sofri muito. Em minha cabeça, eu via Ambrose como aquele que poderia entender o dilema, entre a Igreja e a Bíblia, com o qual eu estava batalhando. Eu tinha esperança de que ele fosse capaz de explicar a mim e a meus irmãos dominicanos as verdades com as quais eu lutava. Eu preguei em seu funeral e meu desespero era muito profundo.

Eu continuei a orar Filipenses 3:10, “para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição…” Mas para aprender a respeito dEle, eu teria primeiro que aprender sobre mim mesmo como um pecador. Eu aprendi na Bíblia (I Tim 2:5) que o papel que eu estava desempenhando como um mediador sacerdotal era errado, pois apesar de ser exatamente o que a Igreja Católica ensina, é exatamente o contrário do que a Bíblia ensina. Eu adorava ser admirado pelas pessoas e, de certa forma, ser idolatrado por eles. Eu justificava meu pecado dizendo que, afinal de contas, se é isto que a maior igreja do mundo ensina, quem sou eu para questionar? Assim mesmo eu ainda lutava com o meu conflito interior. Eu comecei a ver a adoração de Maria, dos santos, e dos padres como o pecado que é, mas embora eu estivesse disposto a renunciar a Maria e aos santos como mediadores, eu não pude renunciar ao sacerdócio, pois eu havia investido toda a minha vida nele.

Os anos de Cabo-de-Guerra

Maria, os santos, e o sacerdócio eram apenas uma pequena parte da imensa luta com a qual eu estava lidando. Quem era o Senhor da minha vida, Jesus Cristo e Sua Palavra ou a Igreja Romana? Esta questão fundamental assolava dentro de mim especialmente durante meus últimos seis anos como padre da paróquia de Sangre Grande (1979-1985). Desde criança havia sido inculcado em minha mente de que a Igreja Católica era suprema em todas as questões de fé e moralidade, e parecia impossível mudar isto. Roma não era apenas suprema, mas sempre chamada de “Santa Madre”. Como eu poderia ir contra a “Santa Madre”, especialmente quando eu desempenhava um papel oficial na dispensação de seus sacramentos e mantendo as pessoas fiéis a ela?

Em 1981, eu me redediquei a servir a Igreja Católica Romana enquanto participando de um seminário de renovação paroquial em Nova Orleans. Todavia, quando eu retornei a Trinidad e me envolvi de novo com os problemas da vida real, eu comecei a retornar à autoridade da Palavra de Deus. Finalmente a tensão se tornou um cabo-de-guerra dentro de mim. Às vezes eu olhava para a Igreja Romana como absoluta, e às vezes à autoridade da Bíblia como final. Meu estômago sofreu muito durante aqueles anos; minhas emoções estavam sendo despedaçadas. Eu deveria ter sabido a simples verdade de que ninguém pode servir a dois mestres. Minha posição profissional era a de colocar a autoridade absoluta da Palavra de Deus sob a autoridade suprema da Igreja Romana.

Esta contradição foi simbolizada com o que eu fiz com as quatro estátuas na Igreja Sangre Grande. Eu removi e quebrei as estátuas de São Francisco e São Martinho porque o segundo mandamento da Lei de Deus declara, em Exodus 20:4, que “Não farás para ti imagem esculpida…”, mas quando algumas pessoas discordaram da remoção das estátuas do Sagrado Coração de Maria, eu as deixei por causa da autoridade superior, ou seja, a Igreja Católica Romana declarou em sua lei canônica 1188: “Mantenha-se em vigor a prática de, nas igrejas, se exporem à veneração dos fiéis as imagens sagradas”. Eu não percebi que o que eu estava tentando fazer era sujeitar a Palavra de Deus à palavra do homem.

Minha Própria Culpa

Embora eu tenha aprendido que a Palavra de Deus é absoluta, eu ainda passei pela agonia de tentar manter a Igreja Católica Romana como tendo mais autoridade que a Palavra de Deus, mesmo em questões onde a Igreja de Roma tenha dito exatamente o oposto do que está na Bíblia. Como isso é possível? Primeiramente, foi a minha própria culpa. Se eu tivesse aceitado a autoridade da Bíblia como suprema, eu teria sido convencido pela Palavra de Deus a abrir mão de meu papel sacerdotal como mediador, mas este era muito precioso para mim. Segundo, ninguém nunca questionou o que eu fiz como padre. Católicos de outros países vieram à missa, viram os óleos sagrados, a água benta, as medalhas, as estátuas, as vestimentas rituais, e nunca disseram uma palavra! O estilo maravilhoso, o simbolismo, a música, e o gosto artístico da Igreja Romana era muito cativante. O incenso não apenas tem um cheiro forte, mas dá um ar de mistério.

O Momento Decisivo

Um dia uma mulher me desafiou (o único cristão a me desafiar em meus 22 anos como padre): “Vocês, católicos têm uma forma de santidade, mas negam seu poder.” Aquelas palavras me incomodaram por um tempo porque eu gostava muito das luzes, das faixas, da música popular, das guitarras e da bateria. E, provavelmente, nenhum padre em toda a ilha de Trinidad possuia vestimentas e faixas mais coloridas que as minhas. Eu, claramente, não aplicava o que estava diante de meus olhos.

Em Outubro de 1985, a graça de Deus foi maior do que a mentira que eu estava tentando viver. Eu fui a Barbados para orar a respeito das concessõessob as quais eu estava me forçando a viver. Eu me sentia verdadeiramente encurralado. A Palavra de Deus é realmente absoluta e eu tenho que obedecer somente a ela, mas ainda assim, eu havia prometido, diante de Deus, obediência à suprema autoridade da Igreja Católica. Em Barbados, eu li um livro no qual era explicado que o significado bíblico da Igreja era a “comunhão de crentes”. No Novo Testamento, não existe nenhuma indicação de uma hierarquia, e a idéia de um clero reinando sobre leigos é desconhecida. E, ao contrário disto, o próprio Senhor Jesus declarou: “Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.”(Mateus 23:8) Ver e entender o significado de igreja como “comunhão” me deu liberdade para descartar a Igreja Católica Romana como autoridade suprema e para depender somente de Cristo como Senhor. Eu comecei a entender que em termos bíblicos, os bispos que eu conhecia não eram crentes bíblicos. Eles eram, na maioria, homens devotos absorvidos pela devoção a Maria e ao Rosário, e leais a Roma, mas nenhum tinha idéia do trabalho final de salvação, de que o trabalho de Cristo está terminado, que salvação é pessoal e completa. Todos eles pregavam penitência de pecados, sofrimento humano, obras religiosas, “o modo do homem” ao invés do Evangelho da graça. Mas pela graça de Deus eu vi que ninguém é salvo através da Igreja Romana, e por nenhum tipo de obras, “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” ( Efésios 2:8-9)

O Novo Nascimento aos 48

Eu deixei a Igreja Católica Romana quando vi que não era possível ter uma vida em Jesus Cristo e permanecer fiel às doutrinas católicas romanas. Ao deixar Trinidad em Novembro de 1985, eu só consegui chegar a Barbados, onde me hospedei com um casal de idosos, e pedi ao Senhor que me provisse com um terno e dinheiro suficiente para chegar ao Canadá, pois eu tinha apenas roupas tropicais e umas poucas centenas de dólares. O Senhor repondeu as minha orações e proveu minhas necessidades sem que ninguém ficasse sabendo.

De uma temperatura tropical de 90 graus, eu aterrissei na neve e gelo do Canadá. Depois de um mês em Vancouver, eu vim para os Estados Unidos. Eu agora confiava que Ele tomaria conta de todas as minhas muitas necessidades, uma vez que eu estava recomeçando minha vida aos 48 anos de idade, praticamente sem nenhum dinheiro, sem um greecard, sem uma carteira de motorista, e sem recomendação de qualquer tipo, tendo apenas o Senhor e Sua Palavra. Por seis meses eu vivi com um casal em uma fazenda no estado de Washington. Eu expliquei a eles que eu havia deixado a Igreja Católica Romana e que eu havia recebido Jesus Cristo e sua Palavra, a Bíblia, como completamente suficientes; e que minha decisão era absoluta, final e definitiva. No entanto, eles não se impressionaram com minhas palavras e queriam saber se eu havia qualquer tipo de ressentimento e mágoa dentro de mim. Em oração e com grande compaixão, eles me ajudaram, pois eles mesmos haviam feito essa transição e sabiam o quanto era fácil se tornar amargurado nessa situação. Depois de quatro dias na casa deles, pela graça de Deus, eu comecei a enxergar o arrependimento como fruto da salvação. Isto não apenas significava poder pedir perdão ao Senhor pelos muitos anos de indefinição, mas também aceitar Sua cura onde eu havia sido profundamente machucado. Finalmente, aos 48 anos de idade, somente pela autoridade da Palavra de Deus, e por Sua graça, eu aceitei a morte substitucionária de Cristo como suficiente. Que a glória seja dEle somente.

Tendo sido renovado tanto fisicamente como espiritualmente por esse casal e sua família, o Senhor me deu uma esposa, Lynn, cristã renascida na fé, adorável e inteligente. Juntos nos mudamos para Atlanta, Georgia, onde arrumamos emprego.

Um Missionário Verdadeiro com uma Mensagem Verdadeira

Em Setembro de 1988, nós deixamos Atlanta para ir para a Ásia como missionários. Foi um ano de profunda produtividade no Senhor, que eu nunca havia pensado ser possível. Homens e mulheres vieram para conhecer a autoridade da Bíblia e o poder da morte e ressurreição de Cristo. Eu estava impressionado ao ver o quanto era fácil para a graça do Senhor ser efetiva quando apenas a Bíblia é usada para apresentar Jesus Cristo. Isto era um contraste com com as teias de aranha da tradição da igreja que obscureceram meus 21 anos como missionário em Trinidad. Foram 21 anos sem a mensagem verdadeira.

Nada melhor que Romanos 8:1-2 para explicar a vida abundante da qual Jesus falou e a qual eu agora desfruto: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, para os que andam não de acordo com a carne, mas de acordo com o Espírito. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” Isto não significa apenas que eu tenha sido libertado do sistema Católico Romano, mas que eu sou uma nova criatura em Cristo. E é pela graça de Deus, e nada além de Sua graça, que eu mudei de obras mortas para uma nova vida.

Testemunho do Evangelho da Graça

Anos atrás, em 1972, quando alguns Cristãos me ensinaram sobre o Senhor curando nossos corpos, teria sido muito mais fácil se eles tivessem me explicado em que autoridade nossa natureza pecadora é reconciliada com Deus. A Bíblia claramente mostra que Jesus foi nosso substituto na cruz. Eu não posso expressar isto melhor que Isaías 53:5: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”(Isto significa que Cristo recebeu sobre si o que eu deveria sofrer por meus pecados. Diante do Pai, eu confio em Jesus como meu substituto).

Aquele versículo foi escrito 750 anos antes da crucificação de nosso Senhor. Pouco tempo depois do sacrifício na cruz, a Bíblia declara em 1 Pedro 2:24 que “levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.”Porque herdamos a natureza pecadora de Adão, nós todos pecamos e estamos destituídos da glória de Deus. Como podemos comparecer diante do Santo Deus, a não ser através de Cristo, e reconhecer que Ele morreu onde deveríamos ter morrido? Somente através da fé podemos ver e compreenderCristo como substituto. Foi Ele quem pagou por nossos pecados, e embora sem pecados, ele foi crucificado. Esta é a verdadeira mensagem do Evangelho. É a fé suficiente? Sim, a fé do novo nascimento é suficiente. A fé verdadeira, produzida por Deus, inevitavelmente produzirá bom fruto: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.”(Efésios 2:10)Ao nos arrependermos, nos despojamos, pela força de Deus, de nossa velha forma de vida e de nossos pecados passados. Isto não significa que não pequemos de novo, mas significa que nossa posição diante de Deus mudou. Nós somos chamados filhos de Deus, e de fato o somos. Se nós pecamos, isto é um problema de relacionamento com o Pai que pode ser resolvido, não um problema de perdermos nossa posição como Filhos de Deus em Cristo, pois esta posição é irrevogável. Em Hebreus 10:10, a Bíblia o declara de forma maravilhosa: “… temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre.” A obra de Jesus Cristo na cruz é suficiente e completa. Ao confiar somente em Sua obra completa, você terá uma nova vida que é nascida do Espírito – você será renascido.

Nos Dias de Hoje

A minha missão atualé o das boas obras que o Senhor preparou para mim como evangelista, perto de Austin, no centro do Texas, E.U.A. O que Paulo falou a respeito de seus companheiros judeus, eu falo a respeito de meus amados irmãos católicos: o desejo do meu coração e minha oração a Deus é a de que eles sejam salvos. Eu posso testemunhar que eles são zelosos por Deus, mas seu zelo não é baseado na Palavra de Deus, mas na tradição de sua igreja. Se vocês entenderem a devoção e agonia que muitos homens e mulheres nas Filipinas e na América do Sul colocaram em sua religião, vocês poderão entender o clamor do meu coração: “Senhor, dê-nos a compaixão para entender a dor e o tormento pela qual católicos devotos têm passado na busca de agradar a Ti”. Ao entender sua dor, nós teremos o desejo de mostrar a eles as Boas Novas da obra completa de Cristo na Cruz.

Meu testemunho mostra o quanto foi difícil para mim, como católico, abrir mão da tradição da igreja. Mas quando o Senhor ordena isto em Sua Palavra, temos que fazê-lo. A “forma de piedade”que a Igreja Católica Romana tem torna muito mais difícil para um católico ver onde está o problema verdadeiro. Todos devemos determinar por qual autoridade sabemos a verdade. Para a Roma papal, a autoridade final está nas decisões e decretos do Papa reinante. Em suas próprias palavras: “Em virtude de seu ofício, o Sumo Pontífice goza de infalibilidade no magistério quando, como Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis, a quem cabe confirmar na fé os seus irmãos, proclama, por ato definitivo, que se deve aceitar uma doutrina sobre a fé e os costumes.“ (Codigo de Direito Canônico, Canon 749). Mas, de acordo com a Bíblia, a própria Palavra de Deus é a autoridade pela qual a verdade é conhecida. Foram as tradições criadas por homens que fizeram com que os Reformadores Protestantes exigissem “Somente a Escritura, somente a fé, somente a graça, somente Cristo, e somente a Deus seja a glória”.

Porque eu Compartilho

Eu compartilho essas verdades agora para que vocês possam saber o caminho de Deus para a salvação. Nosso problema básico como católicos era o de que valor pessoal e dignidade foram impregnados em nós. Nós cremos poder responder à ajuda que Deus nos dá para sermos justos a Seus olhos. Esta pressuposição que muitos de nós carregamos por anos é aptamente definida no Catecismo da Igreja Católica (1994) 2021: “ A graça é o socorro que Deus nos dá para correspondermos à nossa vocação de nos tornarmos seus filhos adoptivos…” Com esta mentalidade, nós estávamos, sem saber, nos apegando a um ensinamento condenado repetidamente pela Bíblia. Tal definição de graça é uma fabricação cuidadosa do homem, pois a Bíblia declara consistentemente que a posição do crente como justo diante de Deus é “sem as obras” (Romanos 4:6), “sem as obras da lei” (Romanos 3:28), “não vem das obras” (Efésios 2:9), “é dom de Deus” (Efésios 2:8). Tentar fazer da resposta do crente parte de sua salvação e considerar a graça como “uma ajuda”, é negar completamente a verdade bíblica: “…Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.” (Romanos 11:6)

A mensagem bíblica é simples: “o dom da justiça” em Cristo Jesus é gratuito, dependendo somente de Seu sacrifício na cruz, o qual é completamente suficiente: “Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” (Romanos 5:17) E é também como o próprio Jesus Cristo disse, que Ele morreu no lugar do crente, Um por muitos (Marcos 10:45), Sua vida como resgate por muitos. E como Ele mesmo declarou: “…pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados. (Mateus 26:28). É também como Pedro proclamou: “Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus…” (I Pedro 3:18). A pregação de Paulo é resumida no final de II Coríntios5:21: “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.”

Este fato, caros leitores, é apresentado claramente na Bíblia. A aceitação deste é agora ordenada por Deus: “…Arrependei-vos e crede no Evangelho.” (Marcos 1:15)

O arrependimento mais difícil para nós, católicos ferrenhos, é o de mudar nossa idéia com relação a “mérito”, “merecimento”, “ser bom suficiente”, para simplesmente receber, com as mãos vazias, o dom da justiça em Jesus Cristo. A recusa em aceitar o que Deus ordena é o mesmo pecado dos religiosos judeus dos tempos de Paulo: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus.” (Romanos 10:3)Arrependei-vos e crede nas Boas Novas!

Richard Bennett