São os Católicos Cristãos?

A Igreja Católica pressupõe a si mesma como cristã. Nada, no entanto, poderia estar mais distante da verdade; ainda assim a Igreja Católica tem promovido ardentemente tal imagem. Mais precisamente, a promoção dessa imagem tem ocorrido dês de a conclusão do Concílio Vaticano II em 1965. Um objetivo primário e não negociável do Concílio Vaticano II foi o de construir a fundação e estabelecer as regras e parâmetros para a difusão de um ecumenismo multifacetado de alcance mundial. Cristãos Evangélicos, que agora são chamados pela Igreja Católica de “irmãos separados” ao invés de “heréticos”[1], são o alvo primário do ecumenismo Católico. O objetivo é atraí-los para dentro do aprisco Católico Romano.[2] Deste modo, no Catecismo da Igreja Católica de 1994 a palavra “Cristão” ocorre, nos ensinos oficiais ali contidos, mais de 100 vezes. Palavras chaves tais quais “dialogo”, “ecumenismo” e “justiça social” estão sendo usadas com o pretexto de promover o Cristianismo, mas com a real intenção de avançar a agenda Católica Romana.

Garantias Falsas

Aos Evangélicos, é assegurado pela Igreja Católica que os católicos que creem na encarnação, morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo são verdadeiros cristãos ainda embora eles compreendam mal algumas das “tecnicalidades” concernente a salvação. Tal raciocínio, no entanto, é negado pelo fato do Catolicismo diferir da fé bíblica – não simplesmente em pormenores e “tecnicalidades” – mas acima de tudo no que se refere àquilo que é essencial para a salvação de uma pessoa.

O aspecto mais perigoso da doutrina da Igreja Católica é que ela aparenta basear-se nas verdades grandiosas e indispensáveis da revelação de Deus.[3] Toda via, o fato flagrante é que a doutrina Católica nega doutrinas bíblicas essenciais, e isso por meio daquilo que ela adiciona às verdades bíblicas. Por exemplo, enquanto que a doutrina Católica mantém que a divindade é composta de três Pessoas distintas e dignas da mesma adoração, ela adiciona adoração divina à Maria, ao dirigir-se a ela em oração como a “Santíssima”. As palavras exatas da declaração oficial são essas: “Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à «Mãe de misericórdia», à «Santíssima”.[4] Outro exemplo, é o fato de que a Igreja Católica demanda que a adoração, que é devida ao verdadeiro Deus, deve também ser dada aos elementos de seu sacramento da eucaristia. Assim ela declara oficialmente:

A ninguém, portanto, é permitido duvidar «que todos os cristãos devem prestar com veneração a este santíssimo Sacramento o culto de latria [adoração] que é devido ao verdadeiro Deus, segundo o costume desde sempre recebido na Igreja Católica. Pois não deve ser menos adorado pelo fato de o Senhor Jesus Cristo o ter instituído com o fim de ser comido.[5]

Estes dois ensinos oficiais da Igreja de Roma mostram que a adoração devida a Deus somente é dada a Maria e aos elementos da eucaristia.

Assim, a doutrina essencial da redenção do homem através de Jesus Cristo conforme ensinada na Bíblia é totalmente diferente da doutrina da redenção do homem ensinada pela Igreja Católica Romana. A Bíblia declara que pecadores mortos em ofensas e pecados são “pela graça… salvos por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.[6] Esta passagem da Escritura mostra que Deus salva pecadores diretamente por Sua graça e por meio da fé somente. Toda via, a Igreja Católica introduz a necessidade de seus sacramentos para a salvação, e consequentemente declara,

A Igreja afirma que, para os crentes, os sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação. A ‘graça sacramental’ é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e própria de cada sacramento.[7]

Os sacramentos, declarados como indispensáveis para a salvação, na verdade negam a doutrina bíblica da redenção do homem. Tendo considerado esses exemplos explícitos da negação da Igreja Católica de verdades bíblicas essenciais, entendemos que a doutrina Papal e seus ensinos tocantes aos principais tópicos da verdade bíblica devem ser cuidadosamente examinadas.

As Bases da Verdade

O primeiro tópico a ser considerado é, “Qual é a Base ou fundamento da verdade?” Em outras palavras, qual é a norma pela qual podemos conhecer a verdade? O padrão absoluto estabelecido pelo Senhor Jesus Cristo é o fato de que “A Escritura não pode ser anulada”.[8] O Senhor Jesus também declarou a verdade da Palavra de Deus dizendo, “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade”.[9] Desta declaração entendemos que a Palavra de Deus não somente contem a verdade, mas em fato, ela é a verdade. A Sagrada Escritura é a fonte do padrão da verdade para o crente.

Uma vez que a Bíblia somente é inspirada por Deus, ela somente é a autoridade última, e ela somente é o juiz último de toda tradição humana e raciocínio. Consequentemente, o mandamento do Senhor declara, “Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.”[10] Assim, em Sua Palavra escrita, a autoridade absoluta do Senhor Deus é totalmente suficiente para todas as necessidades do crente, como esboçado pelo apóstolo Paulo quando ele escreveu: “Toda a Escritura e divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda boa obra”.[11]

O Senhor repreendeu os Fariseus porque eles colocavam suas tradições humanas no mesmo patamar que a palavra de Deus escrita. Desse modo os Fariseus corromperam o entendimento das pessoas, confundindo-as ao equiparar suas tradições com a Palavra de Deus que é a verdadeira base da verdade. Jesus lhes declarou, “[vocês estão] invalidando assim a Palavra de Deus pela vossa tradição que vós ordenastes”.[12]

Não obstante este padrão claro da verdade, a Igreja Católica declara seu próprio padrão de verdade. Ela começa seu raciocínio com as seguintes palavras,

A Tradição sagrada e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. A sagrada Tradição, por sua vez, conserva a Palavra de Deus, confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, e transmite-a integralmente aos seus sucessores,[13]

O fato é que nenhuma “tradição” transmite a Palavra de Deus em sua inteireza. Esta tarefa é uma tarefa única do Santo Espírito. Primeiro, e em um senso exclusivo, as Escrituras são composições do Santo Espírito; como declarou o apóstolo Pedro, “homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.[14] O Santo Espírito é completamente preparado para esta tarefa porque ele é o “Espírito de Verdade”.[15] Ele possui conhecimento perfeito da verdade porque Ele é Deus, um com o pai e com o Filho. O Santo Espírito revela a verdade da Palavra escrita aos crentes. Por esta razão o Senhor Jesus Cristo disse, “Ele [o Santo Espírito] há de receber do que é meu e vo- lo há de anunciar”.[16] Assim, o Santo Espírito transmite perfeitamente a Palavra de Deus em sua própria plenitude.

Tendo equacionado sua “sagrada tradição” com a Sagrada Escritura, e declarado que sua tradição transmite a Palavra de Deus em sua inteireza, a Igreja Católica chega a sua conclusão com as seguintes palavras,

Daí resulta que a Igreja, a quem está confiada a transmissão e interpretação da Revelação, não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência.[17]

Esta declaração é uma negação formal da suficiência da Escritura e uma repúdia de sua autoridade única. Para uma igreja, que alega ser cristã, afirmar possuir amor pela tradição igual ao amor que possui pela Escritura é um ato que faz da Escritura algo de nenhum valor especial. É como um marido que declara amar sua esposa e ao mesmo tempo declara que também igualmente ama a mulher do outro lado da rua. Tal amor seria um amor adúltero; e assim é o “igual espírito de piedade e reverência” da Roma Papal. Tal declaração equivale à rejeição da Escritura e a infidelidade ao Deus da Escritura.

O Catolicismo, toda via, possui em fato um padrão para a verdade que é tido como algo absoluto. Este padrão não é a autoridade absoluta de Deus em Sua Palavra escrita a Bíblia, mas sim a autoridade de um homem, o Papa de Roma. Para os Católicos, a autoridade última está nas decisões e decretos do soberano Papa. Isso é visto em seu ensino oficial que diz,

Desta infalibilidade goza o pontífice romano, chefe do colégio episcopal, por força do seu ofício, quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis… proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes.[18]

Assim, em prática, a base da Igreja Católica para a doutrina é seu Papa e aquilo que ele declara ser verdade. Em outras palavras, isso é uma “verdade reivindicada por decreto”. Quão ridícula é tal reivindicação, especialmente quando descobrimos que alguns Papas foram declarados como heréticos e assim condenados pelos concílios da Igreja.[19]

Salvação Pela Graça Somente é Negada Pelo Sistema Sacramental Católico

O fato de que a salvação é pela graça somente deve ser claramente entendido. Pecadores não redimidos, que estão ainda “mortos em ofensas e pecados”[20] podem unicamente ser salvos pela graça de Deus e por meio da fé somente, porque a salvação “é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie”.[21] É Deus que com tamanha graça salva por meio de Seu don gratuito imerecido. Em contraste cabal com esta verdade, na Igreja Católica se diz que a salvação acontece pela “graça”, mas esta “graça” é tida meramente como uma “ajuda” para auxiliar a resposta das pessoas. Assim declara oficialmente a Igreja Católica: “A graça é o socorro [ajuda] que Deus nos dá para correspondermos à nossa vocação de nos tornarmos seus filhos adotivos. Introduz-nos na intimidade da vida trinitária”.[22] Nesta visão os seres humanos são vistos como capazes ou bons o suficiente para responder a ajuda que Deus lhes dá. De acordo com a Igreja Católica, graça não é uma manifestação da ação soberana de Deus na salvação, mas meramente uma “ajuda” dada aos seres humanos para que eles respondam, caso eles decidam crer. O ensino Católico contradiz o próprio conceito da graça. Como a Bíblia declara: “Mas se [a salvação] é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é mais graça”.[23] O que está em jogo é a ação soberana de Deus, e não a resposta humana incerta.

O conceito Católico da “graça” nega a graça soberana de Deus. Assim sendo, o Papado precisou construir um mecanismo pelo qual os católicos podem professar ter recebido graça. As ferramentas primárias inventadas para isso são chamadas de “sacramentos”. Consequentemente, a Igreja Católica declara,

A Igreja afirma que, para os crentes, os sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação. A graça sacramental é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e própria de cada sacramento.[24]

Este ensino é pavoroso. Na Bíblia, a salvação é dada a um indivíduo pelo poder absoluto da graça de Deus somente – porquanto em Deus somente está o poder de libertar um homem espiritualmente “morto em ofensas e pecados” e levá-lo à condição de espiritualmente vivo em Cristo. Toda via, a Igreja Católica está em firme desacordo com a Bíblia nesta questão primordial, pois ela alega que o homem foi somente “ferido pelo pecado”.[25] Assim o Catecismo da Igreja Católica descreve a graça de Deus como uma “ajuda” acessível através de seus sacramentos. Esses sacramentos por sua vez estão debaixo do total controle da classe sacerdotal Católica.

Nós definitivamente louvamos o Senhor Deus, pois na Escritura a Bíblia sabemos que a graça de Deus é totalmente Seu don gratuito, “Pela qual nos fez agradáveis [aceitos] a si no Amado”.[26] Na salvação somos aceitos não em uma instituição, ou por tomar parte de qualquer sacramento, mas na pessoa do Senhor Jesus Cristo somente.

O Substituído Papal de Cristo Como Objeto Único da Fé

Na Escritura a pessoa do próprio Senhor Jesus Cristo é claramente apresentada como o objeto da fé. Consequentemente a declaração, “Crê no Senhor Jesus Cristo e será salvo, tu e tua casa”.[27] Esta fé é uma fé dada por Deus, como declarou o apóstolo Pedro, “Simão Pedro, servo e apóstolo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”.[28] Esta fé dada por Deus vem do ouvir a Palavra de Deus, como declarado, “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus”.[29] O tópico da fé é algo tão claro na Bíblia que duvidar-se-ia que isso pudesse ser torcido por qualquer igreja. Apesar disso, a Igreja Católica muda por completo o conceito de fé. Em relação à fé, a Igreja Católica foca a atenção em si mesma como “a Igreja”, aquela que primeiramente crê. Assim ela ensina, “É, antes de mais, a Igreja que crê, e que assim suporta, nutre e sustenta a minha fé”.[30] Então ela tem a audácia de declarar que a fé vem pela Igreja pois “a Igreja é nossa mãe”. O ensino oficial é este, “A salvação vem só de Deus. Mas porque é através da Igreja que recebemos a vida da fé, a Igreja é nossa Mãe”.[31] O resultado é que na Igreja Católica a pessoa crê na Mãe Igreja e não no Senhor Jesus Cristo. Suas palavras oficiais declarando tal fato são essas,

Crer é um ato eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. Ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe.[32]

O fato distintivo aqui, é que os Católicos estão compelidos a submeterem-se à santa Mãe Igreja e aceitar aquilo que ela ensina. Essencialmente, a igreja Católica intenta colocar no lugar de Jesus Cristo, como o objeto da fé, um substituiu, a saber: fé na Mãe Igreja. O que essa troca faz é escravizar o indivíduo a Igreja Católica Romana em vez de fazê-lo livre em Jesus Cristo. Para manter a Igreja Católica como o objeto da fé, o Papado amaldiçoa todo aquele que crê em Cristo pela fé somente. Suas palavras oficiais são essas,

Se alguém disser que pelos mesmos sacramentos da Nova Lei não se confere a graça só pela sua recepção (ex opere operato), mas que para receber a graça basta só a fé na promessa divina — seja excomungado [amaldiçoado].[33]

O Sacrifício Completo e Suficiente de Cristo

A unicidade singular do sacrifício de Cristo está em que este sacrifício foi uma oferta única – realizada uma vez. Este conceito “uma vez” é considerado de tamanha importância, que é afirmado pelo Santo Espírito sete vezes no Novo Testamento. A perfeição do sacrifício de Cristo é contrastada com os sacrifícios do Antigo Testamento que eram repetidos diariamente. A verdade da excelência do sacrifício de Cristo é destacada pelas palavras “uma vez”. Por exemplo, o apóstolo Paulo ensina “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas quanto a viver, vive para Deus”.[34] O apóstolo Pedro assim também declara, “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus”.[35] A mesma verdade é ensinada cinco vezes no livro de Hebreus concluindo que “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”.[36] Esta verdade majestosa é encontrada na declaração do próprio Salvador na cruz, “Está consumado”.[37]

Em total contraste, a Igreja Católica declara que o sacrifício de Cristo, oferecido na cruz é contido e oferecido em sua Missa. Suas palavras oficiais são essas,

E porque neste divino sacrifício, que se realiza na missa, aquele mesmo Cristo, que a Si mesmo Se ofereceu outrora de modo cruento [com sangue vertido] sobre o altar da cruz, agora está contido e é imolado [oferecido] de modo incruento [sem sangue vertido].[38]

De maneira quase inacreditável a Igreja Católica declara uma conclusão ainda pior. Ela declara que o sacrifício de Cristo é também sacrifício da Igreja oferecendo a si mesma com Ele. Suas palavras oficiais são essas, “A Igreja, que é o corpo de Cristo, participa na oblação [oferta] da sua Cabeça [Cristo]. Com Ele, ela própria é oferecida integralmente”.[39] É uma blasfêmia absoluta que uma igreja ensine seus membros a oferecerem a si mesmos com o sacrifício de Cristo. A doutrina do participar do sacrifício de Cristo é inteiramente perversa e imoral. Esta proposição é uma mentira completa uma vez que ela nega as declarações repetidas da verdade de Deus na Escritura. A obra da redenção é feita “por Si mesmo”[40]40, “sem as obras da lei”[41], “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou”.[42] Ensinar as pessoas tal proposição constitui-se em uma abominação terrível diante do Senhor Deus!

A Natureza de Deus Mostra que Ele Somente é o Único Santíssimo

A Bíblia ensina, e de modo muito claro, que Deus somente é infinito, eterno, e imutável em Seu Ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade. E de grande importante é o fato de que Ele é O Santíssimo. Sua santidade é o atributo divino que cobre ou abrange todos os Seus atributos, de modo que Seu juízo perfeito é santo, Sua verdade é santa, e Sua justiça é santa. Deus é cada um de Seus atributos manifestos, e o atributo da santidade, que abrange a todos, é aquele que O separa de todos os outros seres. Sua santidade é distintiva e inigualável. Esta é a razão pela qual precisamos ser salvos por Ele, o Deus Santíssimo. Assim lemos na Escritura, “Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti”.[43] Nas palavras da Escritura o Senhor Deus é absolutamente santo, “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da Sua glória”.[44]

Em adição à sua própria declaração da santidade de Deus, o ensino oficial da Igreja Católica declara Maria como sendo “a Toda Santíssima”. As letras maiúsculas em “Toda” e “Santíssima” fazem parte da publicação do texto, e não há nenhuma nota ou aviso de isenção para explicar de um modo diferente o que é dito. O seguinte é declarado, “Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à “Mãe de misericórdia”, à “Santíssima”.[45] Além disto, o ensino católico também declara oficialmente: “da Igreja [o Católico] recebe o exemplo da santidade: reconhece-lhe a figura e a fonte na Santíssima Virgem Maria…”.[46] Este ensino blasfemo é uma tentativa de roubo da própria essência da glória divina reservada a Deus somente. Vem-nos como um choque ver que nesta doutrina o Papado mostrou sua total indiferença para com a divindade. Nós sabemos que o Senhor Deus somente é Todo Santíssimo, e que Ele é protetor de Sua glória, opondo-se a todos aqueles que são hostis a ela, “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei”.[47]

Idolatria

As Escrituras são absolutamente claras ao declarar que nós não devemos fazer imagens religiosas de escultura, ou mostrar qualquer veneração a elas, “Não farás para ti imagem de escultura… Não te encurvaras a elas nem as servirás”.[48] Então a Bíblia explica como isso deve ser entendido,

Então vos anunciou Ele [Deus] a Sua aliança que vos ordenou cumprir, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra. Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o Senhor… falou… para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhante de homem ou mulher.[49]

Por conseguinte, não deve haver similitude (ou semelhança) de Deus feita pelo ser humano. Aquilo que é proibido nas Escrituras é o fazer de qualquer semelhança do Pai, do Filho, ou do Espírito Santo. A Igreja Católica, toda via, racionaliza a questão para que se possa praticar idolatria. O Parágrafo 2132 do Catecismo da Igreja Católica declara,

O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original e quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada.

A Razão apresentada é que o indivíduo venera a pessoa retratada pela imagem e não a imagem em si mesma. Toda via, isto é exatamente o que a Bíblia proíbe, e por qual razão o Segundo Mandamento de Deus proibiu Arão de fazer o bezerro de ouro.[50] A segunda razão apresentada pela Roma Papal para justificar a prática da idolatria usa um concílio do Século VIII, declarando o seguinte,

Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio ecumênico, de Nicéia (ano de 787) justificou… o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.[51]

Quando o sétimo Concílio ecumênico de Nicéia decidiu que a encarnação de Jesus Cristo introduziu uma “nova economia das imagens”, a lógica não declarada de sua decisão requereu que Eles assumissem que Deus mudou Sua mente em relação ao Segundo Mandamento. Este raciocínio é blasfemo. Deus não muda Sua mente. Jesus Cristo e os Apóstolos foram igualmente rigorosos ao condenar idolatria, como o fizeram os Mandamentos no Antigo testamento. Ainda assim, a Igreja Católica reivindica que a “tradição vem do Santo Espírito” o que justifica o fazer de imagens esculpidas, e que estas devem ser mostradas publicamente. Em seu Catecismo, parágrafo 1161 é declarado,

Seguindo a doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres e a tradição da Igreja Católica, que nós sabemos ser a tradição do Espírito Santo que nela habita, definimos com toda a certeza e cuidado que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da Cruz preciosa e vivificante, pintadas, representadas em mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre as alfaias e vestes sagradas, nos muros e em quadros, nas casas e nos caminhos […]

Isso é idolatria – clara, simples e condenada pelo Senhor Deus

O Santo Espírito é blasfemado de modo direto nessa declaração de que Ele estabeleceu a chamada tradição para justificar o uso de imagens. Ao contrário de tudo isso, a Bíblia é abundantemente clara em afirmar que Deus odeia idolatria e proíbe representação em arte daquilo que é divino (Êxodo 20. 4-6). Fazer imagens para representar a Deus corrompe aqueles que as usam (Deuteronômio 4.13, 15-16). Imagens ensinam mentiras a respeito de Deus (Habacuque 2. 18-20). Deus não pode ser representado em arte, e todo aquele que pratica idolatria é comandado a arrepender-se (Atos 17. 29-30). O Santo Espírito ordena no Novo Testamento, como também o fez no Antigo Testamento, “Filhinhos, guardai-vos do ídolos. Amém.” (1 João 5.21). As muitas tradições e superstições pagãs encontradas no Catolicismo Romano são alguns dos frutos malignos resultantes de se trazer para dentro da adoração de Deus a idolatria que Ele odeia. Mas, o pior dos frutos da idolatria que o Catolicismo Romano oferece por trás da fachada de cristã, é o seu falso evangelho.

O tópico da idolatria é de importância extrema uma vez que nos dias atuais muitas igrejas cristãs bíblicas buscam justificar figuras e vídeos de Jesus Cristo. Eles argumentam que nós, assim como aqueles que não podem ler, podemos alcançar um entendimento mais completo da pessoa de Jesus Cristo por meios dessas imagens. Apesar disso, a Bíblia declara nitidamente que tais imagens mentem. Jesus Cristo é o único com duas naturezas distintas – divina e humana – em um corpo. Assim sendo, tentar fazer qualquer tipo de imagem de Jesus Cristo, impressa ou de duas dimensões ou que se movimente, continua a cair debaixo do Segundo Mandamento. Nenhuma imagem pode retratar a divindade de Cristo, pois Ele é o, “resplendor da sua [Deus] glória, e a expressa imagem da sua pessoa”[52], “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.[53]

Se somos mesmos bíblicos, não teremos nenhuma representação pictória ou vídeo mostrando as pessoas do Pai, Filho ou Santo Espírito. A punição por idolatria é severa, como ambos, Antigo e Novo testamento expressamente declaram.[54] Deve haver arrependimento de toda tentação de se visualizar Cristo, o Pai, ou Santo Espírito, pois Deus é Santo e a verdade da Bíblia é Suficiente para nosso conhecimento das coisas divinas.

Conclusão

Como foi demonstrado acima, a Igreja Católica Romana plena e certamente não é Cristã. Mais exatamente, ela é uma igreja apóstata. A Bíblia, a Palavra Escrita de Deus é a grande autoridade contra a apostasia da Igreja Católica e contra seu falso evangelho. A Bíblia declara que por natureza, todos nós nascemos “mortos em ofensas e pecados”[55] e em prática nos rebelamos contra o Deus Santíssimo. Assim, merecidamente caímos debaixo da maldição da Lei. Porem, o amor do Pai Celestial, através do Evangelho da graça, resgata os Seus de Sua ira ardente. Através daquela convicção de pecados, que é colocada no coração humano pelo Santo Espírito, Ele, por Sua graça unicamente, nos trás para Si mesmo em fé somente para a salvação que Ele somente dá. Esta salvação é baseada na morte de Cristo e Sua ressurreição pelos Seus. Como resultado nós então cremos somente em Jesus Cristo o Senhor. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. [56] Tamanha graça e amor envolvem nossos corações em uma gratidão mais e mais profunda, de modo que nós proclamamos com todo o coração “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; gloria, pois a ele eternamente. Amém.[57]


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Tradução do original Inglês por Ábner E. A. Araújo


[1] Os Anátemas (excomunhão) e maldições contra evangélicos como heréticos continuam a valer na lei Católica Romana, pois o Concílio de Trento (1545 – 1563) nunca foi revogado. Dês de o fim do Sacro Império Romano- Germânico, o Papado não tem nenhum poder militar e civil por meio do qual possa executar esses anátemas como o fez ao longo dos mais de 600 anos da Inquisição. Assim o Papado voltou-se ao ecumenismo, “dialogo” e a promoção de “justiça social” como métodos atuais para atrair Cristãos Evangélicos.

[2] Documentos do Concilio Vaticanos, “Reflections and Suggestions Concerning Ecumenical Dialogue,” Vol. I, Sect. II Este documento crucial declara:, “… O diálogo ecumênico não se limita a um nível acadêmico ou puramente conceitual, mas lutando por uma comunhão mais completa entre as comunidades cristãs … que sirva para transformar os modos de pensamento e comportamento e o cotidiano dessas comunidades. Desta forma, visa preparar o caminho para a unidade da fé no seio de uma única Igreja e visível: assim, “pouco a pouco”, como os obstáculos à comunhão eclesial perfeita forem superados, todos os cristãos estarão reunidos, em uma celebração comum da Eucaristia, na unidade da única Igreja que Cristo concedeu à sua Igreja desde o início. Esta unidade, acreditamos, habita na Igreja Católica como algo que ela nunca pode perder … “, Tradução livre.

[3] Por exemplo, ela mantém a crença na existência de um Deus eterno auto-existente, o Criador do universo, do homem e de todas as coisas. Ela ensina a doutrina bíblica da Trindade. Ela ensina que o pecado de Adão resultou em uma culpa compartilhada por todos os seres humanos e da consequência de seu pecado. Ela aceita a doutrina da redenção do homem por Jesus Cristo, ensinando que Ele se tornou encarnado e suportou a morte da cruz; que Ele ressuscitou de entre os mortos, subiu aos céus, e retornará novamente.

[4] Catecismo da Igreja Católica, – Parágrafo 2677. http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/ index_new/prima-pagina- cic_po.html.

[5] Documentos do Concílio Vaticano (S. Congr. dos Ritos, Instr. Eucharisticum mysterium, n. 3f: AAS 59 (1967), p. 543. Palavras em colchetes não constam no original.

[6] Efésios 2. 8,9.

[7] Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1129

[8] João 10.35

[9] João 17.17

[10] Provérbios 30.6

[11] 2 Timóteo 3. 16,17

[12] Marcos 7.13

[13] Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 80 e 81

[14] 2 Pedro 1. 20-21

[15] João 16.13 “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade.”

[16] João 16.14

[17] Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 82

[18] Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 891

[19] Por exemplo, o Papa Honório I foi condenado como herético pelo Sexto Concílio Ecumênico (680-681 A.D.). Ele foi também condenado como herético pelo Papa Leão II, assim como por outros papas até o século onze. Foi somente em 1870 no Concílio Vaticano I que a Igreja Católica pela primeira vez declarou que o Papa é infalível.
[20] Efésios 2.1

[21] Efésios 2. 8,9

[22] Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 2021

[23] Romanos 11.6

[24] Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1229

[25] Documentos do Concilio Vaticano II, “Gaudium et Spes,” Capíulo 1, Sessão 14

[26] Efésios 1.6

[27] Atos 16.31

[28] 2 Pedro 1.1

[29] Romanos 10.17

[30] Catecismo da igreja Católica, Parágrafo 168

[31] Catecismo da igreja Católica, Parágrafo 169

[32] Catecismo da igreja Católica, Parágrafo 181

[33] Os Cânones e Decretos do Concílio de Trento, Sessão VII (Março de 1547) Sobre o Sacramento, 851. Cân. 8. http://www.montfort.org.br. Conteúdo em chaves não se encontra no original. – (Esta maldição contra aqueles que creem que Cristo somente é o objeto da fé salvífica nunca foi removido. Por séculos as torturar horrendas realizadas pela inquisição Papal foram usadas através da Europa e no Reino Unido para extirpar todos os crentes cuja fé estava em Cristo somente. Por volta do final do século XVIII, o Papado já não possuía mais o poder militar e civil para enforçar sua doutrina sinistra. No entanto, por volta de meados do século XX, a nova ferramenta do Papado foi forjada contra aqueles cuja fé está em Cristo somente: Ecumenismo, dialogo e “justiça social” foram formalmente desvelados pelo Concílio Vaticano II. O método mudou, mas não o objetivo.)

[34] Romanos 6.10

[35] 1 Pedro 3.18

[36] Hebreus 9.28

[37] João 19.30

[38] Catecismo da igreja Católica, Parágrafo 1367. Ênfases em negrito e adição explicativa em colchete não estão presentes no original.

[39] Catecismo da igreja Católica, Parágrafo 1368. Ênfase explicativa em colchete não está presente no original.

[40] Hebreus 1.3

[41] Romanos 3.28

[42] Tito 3.5

[43] Apocalipse 15.4

[44] Isaías 6.3

[45] Catecismo da igreja Católica, Parágrafo 2677

[46] Catecismo da igreja Católica, Parágrafo 2030

[47] Isaías 42.8

[48] Êxodo 20.4-5

[49] Deuteronômio 4.13, 15-16

[50] Êxodo 32. 4-9

[51] Catecismo da igreja Católica, Parágrafo 2131

[52] Hebreus 1.3

[53] Colossenses 2.9

[54] Êxodo 20:4-6, Deuteronômio 4.13, 15-16, Habacuque. 2.18-20, Atos 17.29-30. Assim comanda o Santo Espírito no Antigo e Novo Testamento, “Filhinhos, guardai-vos do ídolos. Amém.” 1 João 5.21

[55] Efésios 2.1

[56] Efésios 2.8,9

[57] Romanos 11.36